Comportamento na lista de e-mails

Chegou à minha atenção que eu virei assunto na lista de e-mails.

Considero isto um desperdício de tempo, “mas se todos gostam eu vou voltar” – Raul Seixas.

A primeira coisa que eu vi foi que um integrante da lista disse que eu promovo silêncio porque vou lá e impeço as pessoas de se expressarem, principalmente quando alguém faz apologia a qualquer coisa que não seja “alternativa”, “livre” e outros pseudo-radicalismos. Por favor, mano. Eu to com uma camiseta do Firefox, escrevendo isto de um computador da prefeitura pelo Google Chrome no Windows XP, tomando Coca Cola.

Não é culpa do pessoal da lista, é limitação desta merda de mundinho virtual que a gente cria que transforma a comunicação em uma troca infiel de melindragens, presunções e burrices.

Não é o caso que eu direcione a política da lista e não permita discussões que não sejam anti-capitalistas ou sei lá que outros rótulos inventarem. É o caso que eu tenho este ímpeto de passar o tempo inteiro ilustrando a hipocrisia da minha parte e da parte de quem me cerca.

Também colocaram que eu não respeito ninguém. Pois bem. Eu respeito o ser humano. O que eu não respeito, e é altamente provável que vou perseverar sem respeitar, é gente dando opiniões e achando que está falando sério. Pra mim quem abre a boca pra falar besteira manifesta qualquer coisa menos o “ser humano”. Se tivesse alguém falando sério em algum lugar, a gente poderia ter um parâmetro de comparação para determinar o que é e o que não é besteira. Mas, como ninguém ainda conseguiu provar pra mim que tem alguém falando sério, então as circunstâncias são de todo mundo falando besteira o tempo inteiro, até que alguém prove o contrário.

Eu convido qualquer umx dispostx a tentar me convencer de que em algum momento alguém falou alguma coisa séria, alguma coisa capaz de se destacar e ser separada de todo o resto que foi dito. Se alguém fizer isto, eu prometo que vou ouvir atentamente e dar toda a atenção possível. O que eu observo é que historicamente, tudo o que foi dito e escrito está no mesmo nível de sandice e não tem absolutamente nada que se destaca.

É importante eu deixar explícito este meu filtro pra todo mundo saber que eu considero que todo mundo está errado sobre tudo o tempo inteiro. E portanto, não importa se tu fale bem ou mal de TV-B-Gone, da Rede Globo, da Google, do Papa João Paulo II, de mim ou até de ti mesmx. A menos que tu consiga produzir a primeira manifestação relevante da história da humanidade, eu vou criticar a tua expressão e vou te escrachar, pra te ajudar a te livrar da tua miséria, pra me ajudar a ver como eu faço pior que tu, ou simplesmente porque a minha intuição está dizendo que está indicado que eu tenho que trollar.

É improvável que algumx de nós tenha algo relevante para dizer, mas se não dissermos, como vamos saber? Falar besteira parece ser o único recurso que temos para desenvolvermos a capacidade de parar de falar besteira.

Parece que a única forma de alguém perceber como não tem nada de bom pra oferecer é oferecer o que acha que tem de bom, ser ridicularizadx e lutar para fazer melhor. Se não for assim, todxs ficam à mercê de serem influenciadxs e nunca terão chances de desenvolver criatividade e capacidade crítica, e provavelmente ficarão fadadxs a replicar sandices o tempo inteiro, que é exatamente o que acontece.

Considerando que as circunstâncias são a de imbecilidade coletiva e social, não tem como eu não achar justo ficar o tempo inteiro remando contra a maré, girando pro lado errado e fazendo coisas sem sentido no desespero de encontrar alternativas, porque considero que não tem nenhuma justificativa para ficar fazendo de conta que está tudo OK.

E pra me defender, vou dizer que quem mais sofre censura e repressão na lista, em verdade, sou eu mesmo. Recorrentemente o Lucas vem me pedir explicitamente e olhando no meu olho pra parar de trollar a lista, criam listas alternativas, etiquetas e outras coisas pra criticar e fazer afronta às minhas intervenções. Se eu tivesse algum tipo de objetivo, ia me sentir importantíssimo porque eu movimento as coisas. Mas não é o caso. Matehackers não significa nada para mim e não vou perder meu tempo com este coletivo.

Concordo com gente que vem me dizer que pra resolver o meu problema é só eu achar uma enxada pra capinar, sexo pra me distrair, hobbie para parar de incomodar, ou coisa parecida. Eu tenho consciência plena que eu vivo pra incomodar. Para não perder a mania de parafrasear A. C. Belchior, vou citar “Divina Comédia Humana”:

“Ora direis: -Ouvir estrelas? Certo perdeste o senso!

Eu vos direi no entanto:

Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto.”

Quem ainda se sentir ofendidx, incomodadx, bote estricnina no meu café, se estiver dispostx a enfrentar as consequências disto, ou simplesmente me ignore.

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