IA e eu

Não é difícil achar exemplos de teorias científicas ou tecnologias que sofreram com a falta de compreensão do público em geral. Quem nunca ouviu falar em cura quântica, da computação nas nuvens ou da SUPERNAMODA Inteligência Artificial.

Como membro honorário do clube oficial do Hype da IA e aproveitando que eu estou estudando sobre o assunto que será tema do meu TCC (oremos), decidi produzir uma série de posts aqui no blog no pra tentar desmistificar o tema e com sorte impedir o surgimento do Deepak Chopra da Computação.

O primeiro post será um apanhado geral sobre a história da Inteligência Artificial e como chegamos até aqui.

The hype is real

Pré-História da IA

Definir o que é inteligência não é uma tarefa fácil, e inteligência artificial é mais difícil ainda. Historicamente, existiram duas abordagens para a definição de inteligência: O comparativo com humanos e o comparativo com seres racionais.

Inteligência Humana

mind fucking blown

No primeiro modelo, o seres da espécie Humana são tidos como parâmetros e portanto, qualquer avaliação de inteligência tem que se refletir em comportamentos ou pensamentos similares aos Humanos.

O Teste de Turing proposto pelo matemático Alan Turing (1950) foi uma maneira operacional de estabelecer inteligência pelo comparativo comportamental. Segundo o teste, um computador poderia ser considerado inteligente se, ao ser interrogado por um humano com algumas questões, este não pudesse determinar se as respostas eram oriundas de um máquina ou de uma pessoa.

A Ciência Cognitiva por outro lado, busca compreender o mecanismo pelos quais os humanos são capazes de pensar e à partir disso estabelecer comparações com algum algoritmo que eventualmente pudesse replicar estas capacidades.

Inteligência Racional

i can count potato

Além do paradigma humano, existe um outro que é a comparação com seres racionais. Um ser é dito racional se ele age da “maneira correta”, dado o que ele conhece.  Isso nos leva a seguinte definição: um ser é inteligente se ele age ou pensa como um ser racional.

Aristóteles (sempre ele) foi o primeiro a sistematizar e codificar uma maneira de “pensar corretamente”. Ele foi o criador da disciplina que hoje conhecemos por Lógica. Esta disciplina estabelecia estruturas argumentativas tais como: “Sócrates é um homem; todos os homens são mortais; portanto, Sócrates é mortal” que sempre produzem conclusões corretas. Porém, estes silogismas nem sempre são capazes de traduzir conhecimento informal, principalmente em face à incertezas. Além disso existem diferenças entre resolver um problema em princípio e resolvê-lo na prática.

Embora a abordagem pelas “leis do pensamento” do Aristóteles foquem em realizar inferências corretas, esta não é capaz de exaurir o que significa agir como um ser racional pois existem situações em que não há uma ação comprovadamente correta, mas em que uma ação deve ser tomada mesmo assim. Além disso, existem comportamentos racionais que não podem ser deduzidos por mera inferência como, por exemplo, o reflexo de remover rapidamente a mão do fogo sem uma cuidadosa pré deliberação sobre o assunto.

Nos próximos posts eu entrarei na area da Ciência da Computação propriamente dita que utiliza estas duas abordagens na construção de máquinas inteligentes.

Fonte:

Russell, Stuart, Peter Norvig, and Artificial Intelligence. “A modern approach.” Artificial Intelligence. Prentice-Hall, Egnlewood Cliffs 25 (1995).

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