O que é o Matehackers?

Isto originalmente era pra ser uma “simples” resposta a um tópico na lista do Matehackers, mais especificamente este: https://groups.google.com/forum/?fromgroups#!topic/matehackers/OrLrk6majNk

Não é novidade que “simples” pra mim não necessariamente significa “resumo”. Eu acabo tendo que implorar pra lerem isto aqui, porque é importante. Desculpa aí, to tentando aprender a resumir as coisas, preciso de ajuda dxs mestres da expressão, obrigado.

O que é o Matehackers?

A resposta curta para a pergunta seria “não sei”. E esta deve ser a única resposta honesta para esta pergunta. Mas tenho a impressão de que o pessoal gosta de se fazer de tançx e acha que é um absurdo responder isto. Tudo bem então, se tu não te satisfaz com o simples, aí vai o complexo. Tu quem pediu:

Eu continuo dizendo que cada pessoa que de alguma forma está relacionada, inserida, faz parte, acha que faz parte, faz parte sem achar, ou de qualquer forma tem, teve e terá sua vida afetada pelo Matehackers, olha, pensa e entende o Matehackers da sua própria forma.

Cada pessoa tem uma resposta individual e completamente diferente de qualquer outra para a pergunta “O que é Matehackers?”.

Algumas coisas que a gente faz, ou quer fazer, determinam que a gente precise de organização, planejamento, formalização, definição de objetivos, definição de metas, etc. Tem pouca gente que simpatiza com estas ideias entre nós, e quem simpatiza não faz porra nenhuma, ou porque não quer mesmo, ou porque tem medo de represália ou coisa parecida.

O grupo nasceu com a ideia utópica de garantir um espaço que permitisse que pudéssemos extravasar livremente nossas ideias e se divertir com tecnologia. É provável que quem luta para garantir que o coletivo tenha abertura para estas filosofias persevere lutando para garantir que de certa forma frescuras formais não se tornem as circunstâncias, e continuem sendo ferramentas.

Não tem como criticar quem faz isto, porque no contexto social em que nos encontramos, quem está aberto à criatividade é quem move o mundo. Grandes empresas de TI fazem simplesmente o trabalho de se apropriar da criatividade e da cultura dxs fazedorxs de garagem que são realmente as pessoas que mandam na tecnologia e determinam como as coisas devem ser.

Criamos coletivamente assim então a combinação perfeita entre inércia, ação, agressividade, docilidade, e quando precisamos virar anarcos, viramos, quando precisamos virar tecnocratas corporativos, também fazemos isto.

Se alguém ou algum projeto que temos determina que precisamos nos burocratizar, desburocratizar, formalizar tudo, pixar todas as paredes, virar uma empresa, virar uma comunidade hippie, qualquer umx é bem vindx a fazer qualquer uma destas coisas. A regra pra mim é clara: Se a tua ideia, projeto, objetivo, sonho, devaneio, não receber ajuda suficiente, é porque naquele momento, naquele contexto, ela não serve. Mas se a gente não concretizar, como é que podemos saber o que é bom ou ruim pra nós?

A mente não é lugar para pensamentos sérios. Nada do que nasce e morre aí nessa tua massa cinzenta é útil para xs outrxs. Se mostre, se abra às críticas. Não tem outro jeito. Não ganha troféu quem não ganha tomate na cara primeiro. Em verdade, na maioria das vezes, o melhor troféu realmente é o tomate.

É provável que há um determinado tempo mais conveniente para cada coisa. Aquilo que não serviu hoje pode ser reciclado e aproveitado daqui pra frente. Lembra que em uma primeira ocasião um grupo de nerds foi até o Bunker tentar conseguir um espaço, e naquela ocasião específica, naquele contexto específico, não aconteceu? Lembra que, algum tempo depois, de alguma forma, isto acabou acontecendo?

Iniciativas sempre são bem vindas. I.N.I.C.I.A.T.I.V.A.S., viu? Procura aí no dicionário de costume. É provável que a maioria das iniciativas sejam calorosamente recebidas com um tapa na cara, mas não é esta a coisa mais conveniente de todas? 100% de massa crítica? A experiência demonstra que se alguém ganha flores e medalhas só de apresentar uma ideia, então provavelmente é algo inútil com data marcada para se dissolver e contribuirá pouco ou quase nada para o futuro.

Quem é escravx da vaidade de ser premiadx e reconhecidx por suas “ideias”, como se existisse esta coisa de alguém criando alguma coisa original em algum lugar, está fadadx ao sofrimento e frustração constante. Mas o choro é livre. Vaidosxs são bem vindxs em nosso meio. Só vai ficar aí esperando sentadx que alguém te encha de beijos em decorrência das tuas “geniais” contribuições.

Enfim, no momento em que escrevo isto existem algumas iniciativas tímidas de formalização do Matehackers, de formalização SEM usar o nome do Matehackers, projetos que precisam de formalização, projetos que serão impedidos com formalização demais, e de onde estou, vejo que esta multiplicação que o Charles preconiza está acontecendo há algum tempo já. Infelizmente, como todos os outros casos que eu já vi, esta multiplicação está de certa forma se tornando uma divisão em alguns casos, porque somos um bando de crianças birrentas com essa mania de segregação e se achar diferentes unxs dxs outrxs, xs capitalistas incapazes de conviver com xs anti-capitalistas e vice-versa, por exemplo. Eu olho para isto e vejo infantilidade, mas somos novxs e estamos aprendendo.

Também temos gente suficiente fazendo o que está ao alcance para boicotar as formalizações do grupo e enveredar para outros lados, como eu, por exemplo. É sempre bom saber que não estou trabalhando sozinho. Há quem encare isto como utopismo, nadar contra a corrente, infantilidade, imaturidade, etc. Eu sou um cético que gosta de pagar pra ver. Se alguém tem uma experiência real que prove que o Matehackers vai morrer, terminar, se dissolver se não se “vender para o sistema”, ou coisa parecida, eu sou um disposto a ver isto. Mas tenho a impressão de que só tem gente desinformada, deslumbrada, presunçosa e sem nenhum tipo de conhecimento direto e propriedade para afirmar categoricamente “o que da certo” e “o que não da certo”. Mas mesmo opiniões infundadas são bem vindas, porque como é que alguém vai ver que é burro se não botar a burrice pra fora? Eu pelo menos tenho vontade de chicotear as minhas costas depois que leio um texto que eu escrevo. Este aqui inclusive.

Então não tem uma forma concreta de determinar os rumos do Matehackers ou de controlar isto, porque sempre vai depender de forças políticas e da atividade das pessoas envolvidas. Não tem autoridade individual aqui, e é improvável que algum dia tenhamos isto. Se alguém tem dificuldade de contribuir com o Matehackers, é porque tem medo de errar. Eu posso dizer com propriedade, não tem ninguém errando ou acertando no Matehackers, não temos parâmetro de comparação. Qualquer intervenção não tem como passar pelo filtro de “certo” ou “errado”. Mas isto é o que estou escrevendo aqui. Quem me conhece sabe que este discurso vai pela descarga na primeira oportunidade.

Sugiro que continuem falando tudo o que tem pra falar neste tópico (https://groups.google.com/forum/?fromgroups#!topic/matehackers/OrLrk6majNk), ou em outros lugares, porque o Matehackers estava desesperadamente precisando disto.

Como alguns disseram neste tópico, eu por exemplo trabalho muito. Eu especificamente tenho apenas um emprego e outro trabalho informal que me dão dinheiro. Todos meus outros trabalhos são voluntários ou então eu tenho que pagar pra trabalhar. O problema maior realmente nunca foi dinheiro, porque este é muito bem definido, e quando tem, tem, quando não tem, não tem e não há nada além disto pra se saber sobre dinheiro. O problema real é sempre tempo, mais especificamente, a natureza inviolável deste e os limites impostos por ele.

Eu considero inaceitável que pessoas pensem e vejam o que acontece no Matehackers e em decorrência do Matehackers como trabalho. Contudo, o que está indicado é que isto é cada vez mais necessário, e o papel de quem trabalha é extremamente útil para o coletivo. E se for por falta de alguém falar, aí vai: ninguém vai usar o Matehackers para enriquecer, criar uma imagem social ou política muito forte, ou coisa parecida. Os projetos acontecem, gente trabalha e faz parcerias ali, alguns de nós ganham dinheiro e tem até gente que não vai se identificar mas que vive disto, e é provável que o que o Guilherme não queira (virar uma “ong” que trabalha para sobreviver), seja a realidade atual e futura. Não vejo ninguém aqui tentando construir uma comunidade ou sociedade alternativa, então, por enquanto, isto não deve ser problema.

Se há algum diferencial no Matehackers certamente é o ativismo, a atividade. Eu já passei por empresas, governo, comunidades, e várias outras coisas, que eu vejo morrer porque têm todas as condições necessárias satisfeitas, menos a atividade. O que eu vejo por aí é obstrução, quase nenhum fluxo, e pessoas trabalhando para obstruir, continuarem sendo obstruídas, e garantir uma sociedade inteira de inércia, obstrução e nenhum movimento em lugar nenhum. Então se eu chego botando fogo em tudo é porque eu amo o Matehackers. Não me faz repetir isto, Alan.

Isto deve servir para quem acredita que o Matehackers precise pensar em dinheiro, terno e gravata, ou qualquer outra coisa que considere importante, necessária, ou justa de se pensar e ser implementada, FAÇA ISTO. AJA. Atitude parece o único motor que realmente move alguma coisa. Ninguém tem que ter medo de chegar lá num sábado e dizer que a gente tinha que se cadastrar como núcleo da Microsoft em Porto Alegre, com os papéis todos na mão, se quiser. Qual é a pior coisa que pode acontecer? #MateOPreconceito.

Menos de 1600 palavras. Estou surpreso com a capacidade de resumo que eu já adquiri.

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