Blog do Matehackers

Almoço de sábado no Mate - III

O terceiro almoço da Cozinha Código Aberto aconteceu no dia 17 de março, um sábado. O cardápio da vez foi Falafel assado (o tradicional bolinho de grão de bico e temperos de origem árabe), Arroz com Gergelim e purê de Moranga Cabotiá com uma leve pitada de curry.

Dia de sol e calor, optamos por montar as mesas no pátio do VIla Flores - em vez de 1, agora foram duas mesas. Calculamos inicialmente o almoço para 15 pessoas, mas a demanda foi aumentando, e no dia servimos 30 refeições. Quase acabou a comida, mas todxs conseguiram comer bem.

O falafel começou a ser preparado já na quinta-feira, dia 15, quando deixamos 1,5 KG de grão de bico crú de molho em duas bacias grandes. No sábado pela manhã, depois de mais de 24h de molho na água, o grão de bico crú (inchado e amolecido) foi batido no processador. A essa mistura acrescentamos cebola, alho e za’atar - um tempero típico da culinária do Oriente Médio, é é tradicionalmente uma mistura moída de tomilho, orégano, manjerona, gergelim torrado, sumagre e sal, embora nem todos estes ingredientes estão sempre presentes.

Falafel assado:

  • 1, 5 Kg de grão de bico;
  • 1 Kg de cebolas brancas picadas;
  • 1 alho (cerca de 10 dentes) picados;
  • sal a gosto;
  • za’atar a gosto;

Arroz com gergelim:

  • 2KG de arroz;
  • 400g de gergelim branco;
  • óleo vegetal (para refogar);

Purê de moranga:

  • 2 morangas grandes, de cerca de 3,5 KG cada uma;
  • 3 a 4 cebolas grandes picadas;
  • 6 a 8 dentes de alho picados;
  • Sal e curry a gosto
  • óleo vegetal (para refogar);

PURÊ

Depois de deixar de molho 1 dia antes o grão de bico na água, começamos o preparo ainda na sexta-feira à noite cortando e cozinhando a moranga Cabotiá numa panela grande, com um pouco de sal e curry. No sábado pela manhã, picamos as cebolas e o alho e refogamos em uma panela menor. Pegamos os pedaços de moranga e fomos batendo aos poucos no liquidificador com um pouco do caldo do cozimento (da moranga) e com o alho e cebola picados. Depois colocamos de volta todo o purê das morangas batidas e dos temperos novamente na panela grande, quando acertamos o tempero e cozinhamos mais um pouco para reduzir.

ARROZ COM GERGELIM

Despejar na panela o arroz e o gergelim com umas 4 colheres de sopa de azeite. Ir mexendo até o arroz começar a ficar branquinho (de início ele é mais translúcido, quando em contato com o azeite). Adicionar água quente (pode ser fria também, mas a quente acelera o cozimento). Em geral são 2 medidas de água para cada medida de arroz. Misturar e deixar cozinhando semitampado. Quando ainda estiver empapado e na metade do ponto de cozimento, acertar o sal. Misturar bem. Se preciso, adicionar mais água. Seguir cozinhando com a tampa ligeiramente aberta e não mexer mais. Se preciso, usar uma colher pra enxergar se o fundo da panela está seco.

Almoço de sábado no Mate - II

O segundo almoço da Cozinha Código Aberto aconteceu no dia 17 de fevereiro, um sábado. O cardápio da vez foi a Moqueca de Banana-da-terra/figo, um suculento preparo de origens nordestinas, com influências africanas, aqui remixado para a versão vegana.

Dia bonito e de cidade vazia. Optamos por montar a mesa no pátio do Vila Flores - também vazio.

A Moqueca foi o preparo mais trabalhoso dos três, já que antes do cozimento é preciso picar/cortar todos os ingredientes. As quantidades eram grandes, então levamos quase 1 hora só nessa primeira etapa. Abaixo as receitas e modos de preparo:

Moqueca:

  • 1kg de cebola cortada em rodelas
  • 1 kg de tomate cortado em rodelas
  • 4kg de banana-figo/da-terra, cortada em postas (pesadas antes de descascar). Melhor que esteja quase madura, nunca “passada”
  • 1 pimentão vermelho grande, cortado em tiras (quantidade pode ser aumentada)
  • 1 pimentão verde grande, cortado em tiras (quantidade pode ser aumentada)
  • 1,2L de leite de côco
  • pimenta do reino/vermelha a gosto
  • 4 colheres de sopa de azeite de dendê
  • 4 dentes de alho picados
  • sal
  • coentro fresco (picar só na hora de colocar na panela)
  • óleo vegetal/azeite pra refogar

Farofa:

  • 4 cebolas picadas
  • 4 dentes de alho picados
  • gengibre fresco picado, aprox. mesma quantidade de alho ou mais
  • 1kg de farinha de mandioca crua
  • opcionais: sementes de girassol e abóbora
  • óleo vegetal/azeite pra refogar

Arroz:

  • 1kg de arroz branco
  • sal
  • óleo vegetal/azeite pra refogar

Farofa

Começar o preparo pela farofa - ela fica pronta rápido e não precisa ser servida quente. Refogar o alho, a cebola e o gengibre. Adicionar a farinha e ir mexendo de vez em quando pra que fique dourada. Temperar com sal.

Moqueca

Deixar todos ingredientes da moqueca cortados/picados antes de começar o cozimento (menos o coentro). As melhores panelas são as de barro e de ferro, mas nas comuns funciona bem também. É melhor que seja mais larga do que alta, o suficiente pra que cada camada de ingredientes ocupe aprox. 3 cm de altura (a de pimentão vai ocupar 1cm).

Refogar o alho. Fazer a primeira camada de cebola. Não mexer, apenas tampar por 1 minuto. Montar a camada de pimentão e logo em seguida a de banana, tentando deixar as camadas bem definidas. Adicionar aprox. meio copo de água. Não mexer! Adicionar a camada de tomate e tampar, deixar cozinhando por aprox. 10 minutos. Os tempos de cozimento variam bastante conforme potência do fogão, espessura e materiais das panelas, então é importante atentar para o fundo - não pode ficar completamente seco.

Verificar o ponto da banana, tem que estar “crua” no meio e cozida por fora. Adicionar água e o sal (aprox. 2 colheres de sopa, mas pode variar conforme o ponto da banana eo gosto…), até alcançar a camada de banana. Se for usar pimenta vermelha em molho, adicionar nessa hora também.Se for usar a do reino em pó, adicionar junto do leite de côco. Deixar cozinhando com a tampa entreaberta por mais uns 10 minutos. Não mexer nunca, a moqueca cozinha na própria borbulha. Adicionar o leite de côco, tampar e deixar cozinhar por 5 a 10 minutos. Abrir a tampa e adicionar o dendê, fazendo um movimento em espiral pra distribui-lo por toda panela. Agitar delicadamente a panela inteira pra que ele se espalhe sem precisar misturar os ingredientes. Se estiver com líquido até a camada de tomate, deixar cozinhando destampado por mais 2 minutos. Se o caldo estiver abaixo da camada da banana, cozinhar tampado.

Desligar o fogo, adicionar o coentro recém picado e deixar tampado por 1 minuto antes de servir.

Arroz

Despejar na panela o arroz e umas 4 colheres de sopa de azeite. Ir mexendo até o arroz começar a ficar branquinho (de início ele é mais translúcido, quando em contato com o azeite). Adicionar água quente (pode ser fria também, mas a quente acelera o cozimento). Em geral são 2 medidas de água para cada medida de arroz. Misturar e deixar cozinhando semitampado. Quando ainda estiver empapado e na metade do ponto de cozimento, acertar o sal. Misturar bem. Se preciso, adicionar mais água. Seguir cozinhando com a tampa ligeiramente aberta e não mexer mais. Se preciso, usar uma colher pra enxergar se o fundo da panela está seco.

Cozinharam e documentaram: Leonardo Foletto e Sheila Uberti Louça e limpeza pós almoço: Lucas Zawacki, Dea, Cléber Stein e Sheila

E todo mundo mais ajudou em alguma coisa da organização geral :)

Almoço de sábado no Mate - I edição

[vá na feira cedinho, no mesmo dia]

Em 2018 iniciamos no Matehackers um projeto chamado “Almoço de Sábado no Mate”. A ideia tem sido juntar o interesse de integrantes do grupo em cozinhar com a necessidade de juntar $$ para pagar o aluguel e custos do espaço. Fizemos a primeira edição em janeiro, como teste, e funcionou bem o suficiente para nos dar vontade de fazer a segunda, em fevereiro.

Também faz parte da proposta incorporar os princípios de cultura livre e de cultura hacker no processo. Isso significa que a transparência, a colaboração e a “façocracia” estarão presentes nos almoços, seja na hora de mostrar os gastos, na feitura dos alimentos ou na limpeza depois. O código aberto também se dá na hora de compartilhar a receita, por isso listamos abaixo um passo a passo do que foi realizado.

Ingredientes Quibe:

  • 1/2 pacote de trigo para quibe
  • 1 pacote (500g) de lentilha
  • 2 cebolas médias
  • 1/2 cabeça de alho
  • 1/2 maço de hortelã
  • sal
  • pimenta do reino em pó (se moída na hora, sempre melhor)
  • azeite de oliva
  • opcionais: 1/2 pimentão vermelho e 1/2 pimentão amarelo, tempero sírio

Ingredientes Arroz:

  • 1 kg de arroz branco
  • 1 garrafinha de leite de côco (200ml)
  • sal
  • azeite

Ingredientes Vegetais Salteados:

  • 5 cebolas médias
  • 6 cenouras médias
  • 500g de vagem
  • 3 abobrinhas italianas médias
  • shoyu 150ml
  • vinagre de maçã ou balsâmico (aprox. 3 colheres de sopa)
  • azeite
  • 1x semente de girassol (sem casca)

Quibe **(o apimentado):** deixar de molho o trigo numa vasilha (de vidro, preferencialmente), em água fria ou morna (1 medida de trigo para 2x de água), por pelo menos 40 minutos - ele vai dobrar de volume. Escorrer bem a água, usando um pano de prato ou peneira fina.

Cozinhar a lentilha, temperar só com um pouco de sal.

Picar: cebola, alho, folhas de hortelã fresca. Pimentões vermelho e amarelo opcionais (aprox 1/2 pimentão de cada, picado bem miúdo).

Temperar com sal, pimenta do reino em pó e azeite de oliva. Tempero sírio vai bem também, mas é opcional. Misturar tudo. Acomodar em fôrma untada (azeite) prensando bem. Assar até ficar sequinho. Se o forno não tiver circulação de ar é bom abrir duas ou três vezes e tirar o vapor de água que se forma sobre a assadeira.

Arroz **(o docinho):** refogar o arroz com sal e azeite até começar a branquear os grãos, mexendo sempre. Adicionar água quente (proporção de 1x de arroz pra 2x de água) e deixar cozinhando semi-tampado. Antes de o arroz secar adicionar o leite de côco. Deixar terminar o cozimento normalmente.

Vegetais salteados **(o ácido):** picar em lascas cenoura, cebola, abobrinha e vagem. Refogar com pouco azeite nessa ordem: cebola, cenoura, vagem e abobrinha. Enquanto não estiver mexendo, deixar semi-tampado pra não perder a água dos vegetais. Quando já estiverem cozidos deixar destampado pra ir secando a água. Temperar com shoyu e um pouco de vinagre (de maçã ou balsâmico). Acertar o sal só no final, se necessário (em geral o shoyu é bem salgado).

Torrar sementes de girassol numa frigideira, mexendo sempre, até ficarem douradas. Servir por cima dos vegetais, no prato (não antes pra não murchar).

Preparo do almoço e documentação: Leonardo Foletto e Sheila Uberti.

Louça pós-almoço: Cléber Stein.

Novo Quadro de Jobs

Quadro de jobs aposentado, postem coisas no nosso grupo de Telegram.

Muitos entram em contato com o Matehackers procurando contratar ou oferecer freelances nas mais diversas áreas relacionadas a tecnologia. Embora este não seja em si o intuito de um Hackerspace é natural que pessoas qualificadas orbitem o espaço e boas oportunidades e trocas podem surgir destes contatos.

Para facilitar o trabalho dos membros do Mate que recebem os pedidos de anúncio e dos interessados em anunciar ou trabalhar um “Quadro de Jobs” foi criado. Esta iniciativa é uma experiência, vamos ver se é útil para alguém. Todo feedback é bem-vindo.

Aproveitem!

Por que eu não sou hacker, nem cientista de dados.

Semana passada eu estive no primeiro encontro de um grupo novo que está se formando aqui em Porto Alegre chamado RS Data Science. Apesar da chuva forte, várias pessoas compareceram ao evento e puderam mostrar e falar sobre os seus variados projetos e áreas de pesquisas.

O evento começou com uma apresentação do grupo por parte dos organizadores e logo de cara foi lançada a pergunta: “Quem aqui se considera um cientista de dados?”. Para minha surpresa, a maioria das pessoas - inclusive eu - não se manifestou. Eu não tenho nenhuma teoria sobre o motivo da inibição dos outros participantes, mas eu não me julgo suficientemente apto em termos de conhecimentos e habilidades para me chamar de cientista de dados. Porém, com o decorrer do encontro e das apresentações dos projetos e subsequentes discussões o meu motivo pra não querer me identificar de tal maneira foi sendo modificado.

Como mencionado, o grupo era extremamente diverso em termos de aplicações e técnicas. Haviam os mestrandos e doutorandos e seus trabalhos acadêmicos bem como os funcionários do setor privado e seus projetos que visam aumentar a produção ou tornar determinado processo mais eficiente.

A cada nova abordagem diferente que era mostrada, um sentimento quasi catártico de aceitação e acolhimento se instaurava no grupo. A cada nova visão sobre o que é ser um cientista de dados, a noção se expandia mais e mais.

O que me leva ao título deste post: Eu não vou me chamar de cientista de dados pela mesma razão que eu não me identifico como hacker, apesar de ser membro deste hackerspace há quase três anos. No início eu até comprei a premissa da luta pelo “verdadeiro” sentido da palavra hacker, mas com o tempo eu fui notando a futilidade deste esforço. Eu me dei conta de que quando o funcionário da multinacional que trabalha fazendo apps pra iOS pode ser chamado de hacker e o morador da periferia com seu computador de dez anos atrás fazendo broadcast da sua rádio pirata também pode ser chamado de hacker ficou claro para mim o problema com o termo: a falta de poder explicativo. Se apresentar como hacker é deixar nas mãos da ambiguidade e da interpretação do interlocutor o sentido da sua frase, e isto é algo que pode não ser desejável - o que não quer dizer que eu não aprecie a confusão na cara das pessoas quando eu não estou muito afim de conversar e simplesmente digo: “eu sou um hacker” e deixo morrer ali.

Nesse jogo diário de linguagem, quanto mais abrangente, mais inclusivo um termo for, menos informação ele carrega e foi esta a conclusão que eu cheguei a respeito de “cientista de dados”. Se você quiser usá-lo como instigador da curiosidade alheia, como trampolim pra uma conversa mais aprofundada, ótimo. Porém se o seu objetivo é clareza na comunicação eu evitaria me identificar como tal.

No próximo post eu vou atacar um outro assunto que surgiu nesta mesma reunião: de que maneira a ciência de dados(?) gera valor para a sociedade e para as empresas.

Compilando a Godot no Ubuntu

A nova versão da Godot deverá vir com bastante coisas legais, como uma interface mais amigável, possibilidade de editar várias cenas ao mesmo tempo, etc. Mas já é possível experimentar isso utilizando a versão de desenvovimento. Nesse post vamos ver como compilar a engine no Ubuntu 14.04 64bits.

Primeiramente vamos instalar as dependências: sudo apt-get install scons pkg-config libx11-dev libxcursor-dev build-essential libasound2-dev libfreetype6-dev libgl1-mesa-dev libglu-dev libssl-dev libxinerama-dev

Agora vamos clonar o repositório de desenvolvimento:`

git clone https://github.com/okamstudio/godot.git godot_devel

cd gotod_devel

Dentro do diretório do código digite o comando:

scons platform=x11

Espere terminar o processo de compilação e entre no diretório /bin vai existir um arquivo chamado godot.x11.tools.64 basta executar.

Eis a nova interface dela:

godot

Por enquanto é isso. Quam quiser saber um pouco mais de detales sobre esse processo, basta acessar a documentação no github: https://github.com/okamstudio/godot/wiki/advanced#compiling–running

Por que participar e apoiar um Hackerspace?

“no Matehackers temos um espaço com infraestrutura e ferramentas para construir os mais diversos projetos e pessoas ansiosas para aprender e compartilhar conhecimento.”

Pare de planejar: Começe antes de estar preparado

Todos temos objetivos que queremos atingir em nossas vidas. É normal assumir que a distância de onde estamos hoje e onde queremos chegar é a falta de conhecimento. É por isso que pagamos por cursos, perdemos horas na internet tentando aprender como fazer as coisas ou entramos em uma faculdade. Por esse percurso gastamos semanas, meses ou anos estudando e planejando como fazer as coisas, buscando o momento em que estaremos preparados para realizar o que queremos ou então o momento em que finalmente vamos nos tornar aquilo que almejamos. Mas será que existe uma melhor maneira de buscar nossos objetivos? Conhecimento é muito difícil de manter, e aprender algo novo muitas vezes não é o suficiente.

Para escrever um livro. Fazer um curso de técnicas de narrativas ajuda, mas a única maneira de conseguir publicar é escrevendo.

Em muitos casos, aprender (sem praticar) nada mais é que uma maneira de evitar tomar alguma atitude em relação a algo que é importante, e como é dificil evitar essa armadilha! Acabamos sempre buscando nos preparar ou buscar os melhores métodos, tendo a ilusão de estamos avançando mas na verdade as rodas estão girando e não saimos do lugar. Apenas quando se coloca a mão na massa criando mais um pedaço de um projeto e mesmo fazendo algo errado, são esses os momentos em que ele avança de fato. Mas não me entenda mal, aprender é valioso desde que não se torne uma forma de procrastinação.

Praticar é aprender, mas aprender não é practicar. Praticar algo de forma ativa é a melhor maneira de entender e ao mesmo tempo melhorar alguma habilidade, especialmente pelos erros cometidos no caminho. Erros que revelam importantes conhecimentos, e permitem expandir o conhecimento na forma de algo significativo. Se você esta trabalhando em algo importante, então nunca se sentirá preparado.

E tornar o conhecimento significativo é poder aplicar ou então compartilhar. Um hackerspace é um lugar ideal para isso, no Matehackers temos um espaço com infraestrutura e ferramentas para construir os mais diversos projetos e pessoas ansiosas para aprender e compartilhar conhecimento. Se você apoia essa idéia procure um hackerspace próximo e se achar válido colabore com uma doação para manter o Matehackers.

[yait] Pra construir um hackerspace: Esquerda, Direita, Esquerda, Direita, Defesa.

Este artigo é um YAIT (yet another internet thesis). As visões descritas aqui pertencem somente a mim e não possuem nenhum rigor científico e portanto podem ser facilmente ignoradas. Você já se perguntou em que posição do espectro político se encontra um hackerspace? Neste artigo eu coloco a proposta que um hackerspace é formado fundamentalmente por duas ideias de cunho direitista, e duas ideias de esquerda.

Esquerda e Direita

Antes de mais nada algumas definições. Os termos esquerda e direita são frequentemente alvos de confusão devido ao fato de possuírem diferentes interpretações em diferentes regiões. Pra evitar ambiguidade, aqui eu estarei usando a definição americana de esquerda e direita.

Esquerda: Movimento Open Source

A influência do movimento Open Source é inegável dentro de um hackerspace, mas a sua afiliação à esquerda é um pouco mais obscura. Enquanto é verdade que existe debate sobre a posição do pessoal de direita em relação ao movimento open source e não haja uma unanimidade nos partidos e governos ditos de esquerda em relação ao movimento, a visão do programador hippie que trabalha de graça por causa de ideologia é bem característica quando se pensa no assunto e portanto qualifica o movimento open source como uma força de esquerda dentro do hackerspace.

Direita: A Do-ocracia

Segundo o sociólogo Michel Lamment

“Applying the hacker ethic is far from the Care Bears world for another reason: recognition is heavily based on technical skills.” Em um hackerspace, várias decisões são tomadas de maneira anárquica e a justificativa do porque as coisas são do jeito que são frequentemente é: “porque o cara que fez quiz assim”. Um do-ocrata não se importa com o contexto do porquê fulano fez o que fez ou se o beltrano não fez porque não tinha capacidade ou oportunidade pra fazer. O que importa é fazer. Pra ontem. Pro fisl de preferência. A falta de preocupação com o contexto do indivíduo é típica dos partidos de direita e uma influência marcante no hackerspace.

Esquerda: Soc-Jus

Em um hackerspace frequentemente você encontra indivíduos preocupados, pelo menos na teoria, com o bem estar social. Projetos na área de reciclagem, ou inclusão de pessoas com deficiência, ou ajuda a população carente é A Característica de um movimento de esquerda e um hackerspace não foge à regra.

Direita: O Comunitarismo

Ainda que um hackerspace não fosse um coletivo, mesmo assim seria considerado um movimento comunitário pois existe a valorização da tradição e dos membros da comunidade que se sacrificaram para o bem comum. Embora o comunitarismo seja um movimento de centro, não é o seu apelo a liberdade econômica responsável pelas suas raízes em um hackerspace, mas sim a valorização da tradição e da interdependência das pessoas, o que o torna essencialmente uma força de direita dentro do espaço.

Ou seja…

Um hackersace é um clusterfuck de ideias disjuntas que funciona sabe la deus como. Talvez a falta de uma ideologia coesa seja a vantagem de um hackerspace, ou a apatia e a indiferença seja o que faça um espaço como esse seguir aberto. Mas o fato é que segue.