I Encontro sobre criptomoedas, blockchain, bitcoin no Matehackers

Neste último sábado 18 de novembro fizemos um primeiro encontro – roda de conversa para falar sobre criptomoedas, bitcoin, blockchain e outros quetais. Tivemos a participação de alguns mineradores intensivos locais, bem como de pensador@s autônomos sobre as novas possibilidades transformadoras que as transações financeiras (des) intermediadas pelos nós das redes podem trazer.

Mais precisamente, participaram da roda:  Iuri Guilherme Martins, hacker e minerador, integrante do matehackers e ativista-anarquista da cultura livre faz muitos anos, contou um pouco de sua experiência minerando bitcoin (e mais recentemente outras criptomoedas) desde 2012 e de como comprou uma parte de um bar com bitcoin, no que ele diz ser uma das prováveis primeira experiências de compras registradas em contrato via bitcoin no Brasil (ou no sul do Brasil).

Eduardo Makiyama, engenheiro de Software (Yokohama University) com 18 anos de experiência em Adquirência, membro da Etherum Foundation e da startup Wbio, trouxe sua experiência de trabalho com blockchain e mostrou diversas possibilidades de aplicação da tecnologia, como em sua própria startup, que trabalha com blockchain aplicado ao desenvolvimento de sistemas para a área de saúde. Detalhou o que é, tecnicamente, minerar e como funciona o bitcoin, entre outros assuntos. Mostrou também o Pila, uma criptomoeda gaúcha criada durante as comemorações da Semana Farroupilha que não teve muita continuidade.

Leonardo Palma, pesquisador independente, autonomista, agitador cultural e ativista da Rede Universidade Nômade, e também um dos quatro Leonardos entre as cerca de 15 pessoas presentes!, veio de Santa Maria especialmente para o evento. Ressaltou o caráter disruptivo das inovações trazidas pelo blockchain e o bitcoin, trazendo as possibilidades de ruptura com o sistema econômico tradicional  se tod@s passarem a minerar bitcoin. Assim ele resumiu sua intervenção:

“Bitcoin não pode de fato ser tratado dentro dos paradigmas bancário, monetário, cambial e financeiro clássicos. E mais, porque além de moeda e livro razão contábil indissociáveis, é também poder constituinte: constituição de rede, constituição de uma comunidade, a que se assenta sobre uma governança algorítmica peculiar: peer-to-peer, opensource, tendencialmente eliminadora das intermediações à medida que se torne cada vez mais vigente, habitual, de adoção corrente e universal. Talvez a única plataforma de fato para pensar a efetuação da renda universal. Que a ofensiva hacker seja: tod@s mineradores! O limite, é o da inclusão digital, e diga-se, pode ser uma aceleração dos esforços e demandas por inclusão digital!! São campos de luta, não para posturas demissinárias das tarefas em curso. Mas para uma economia da abundância, da polinização, da coralização, da autonomia e do comum. Aí estão desafios instigantes para o pensamento e a ação, campos novos de luta, de lutas!”

A conversa contou ainda com a participação mais ativa de Gláucia Campregher, professora de economia da UFRGS, Juliano Pont e Sheila Uberti, integrantes do Matehackers, e (tentativa de) mediação deste que escreve, Leonardo Foletto. Fizemos um pad com algumas das ideias trazidas e links citados. Falou-se muito do texto que dá início ao Bitcoin, traduzido ao português como “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto“, lançado na rede por Satoshi Nakamoto, criador da criptomoeda – não se sabe se Satoshi é uma pessoa, um nome coletivo ou um grupo de pessoas, mas o fato é que o texto é bastante importante (e curto!) de ler.

Falou-se também do uso de bitcoin na “realidade”, como por exemplo para pequenas compras domésticas ou em bares/restaurantes/lojas, no que Eduardo mostrou uma iniciativa gaúcha recém lançada que trata justamente de fazer essas transações bitcoins – reais, a Pay2Coin. Lucas Alberto, cientista da computação e membro da ASL, tratou de questionar o quanto se está mais acumulando bitcoin do que compartilhando e/ou usando para projetos culturais e sociais. Ele mostrou também o Hashgraph, um sistema de dados alternativo ao bitcoin.

Esse primeiro encontro foi uma espécie de “termômetro” sobre o assunto, pescando o que as pessoas estão interessadas no vasto de temas que envolve as criptomoedas. Foi perceptível dois lados de interesse: um mais focado em questões de como minerar e investir em bitcoin e outras criptomoedas, e outro tentando entender os aspectos sociais, políticos e econômicos que o blockchain, o bitcoin e as criptomoedas trazem para a nossa sociedade hoje. A proposta de alguns integrantes do Matehackers é promover mais ações envolvendo o tema.

Segue abaixo um pequeno glossário pra quem organizar os conhecimentos sobre os três principais os termos falados sábado:

Critpmoedas – é um meio de troca que se utiliza de criptografia para assegurar transações e para controlar a criação de novas unidades da moeda. Criptomoedas são um subconjunto das moedas digitais. O Bitcoin tornou-se a primeira criptomoeda descentralizada em 2009. https://pt.wikipedia.org/wiki/Criptomoeda
Bitcoin (símbolo: Ƀ; abrev: BTC ou XBT , peer-to-peer electronic cash system) – é uma moeda digital do tipo criptomoeda descentralizada, e também um sistema econômico alternativo, apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador, ou um grupo de programadores, de pseudônimo Satoshi Nakamoto. O bitcoin permite a transação financeira sem intermediários, mas verificadas por todos os nós da rede Bitcoin peer-to-peer, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin#Blockchain
Blockchain – A tecnologia Blockchain (“Cadeia de Blocos” em inglês) é um tipo banco de dados distribuídos, que tem a função de um livro-razão de contabilidade pública (saldos e transações de contas), onde são registradas as transações bitcoin. Esta tecnologia permite que esses dados sejam transmitidos entre todos os participantes da rede (nós P2P) de maneira descentralizada e transparente. Dessa maneira, não é necessária a confiança em um terceiro ou entidade central para que os dados de contabilidade estejam corretos e não sejam fraudados.
Altcoin – É um nome genérico dado a outras criptomoedas que não o bitcoin, em sua maioria forks deste. https://en.bitcoin.it/wiki/Altcoin
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Quem quiser e baixar o áudio na íntegra da fala (2h30), por sua conta e risco, está disponível aqui no iteia.
Fotos: Leonardo Foletto, Sheila Uberti, Leonardo Palma

Novo “Quadro de Jobs”

Muitos entram em contato com o Matehackers procurando contratar ou oferecer freelances nas mais diversas áreas relacionadas a tecnologia. Embora este não seja em si o intuito de um Hackerspace é natural que pessoas qualificadas orbitem o espaço e boas oportunidades e trocas podem surgir destes contatos.

Para facilitar o trabalho dos membros do Mate que recebem os pedidos de anúncio e dos interessados em anunciar ou trabalhar um “Quadro de Jobs” foi criado. Esta iniciativa é uma experiência, vamos ver se é útil para alguém. Todo feedback é bem-vindo.

Aproveitem!

Por que eu não sou hacker, nem cientista de dados.

Semana passada eu estive no primeiro encontro de um grupo novo que está se
formando aqui em Porto Alegre chamado RS Data Science. Apesar da chuva forte,
várias pessoas compareceram ao evento e puderam mostrar e falar sobre os seus
variados projetos e áreas de pesquisas.

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Compilando a Godot no Ubuntu

A nova versão da Godot deverá vir com bastante coisas legais, como uma interface mais amigável, possibilidade de editar várias cenas ao mesmo tempo, etc. Mas já é possível experimentar isso utilizando a versão de desenvovimento. Nesse post vamos ver como compilar a engine no Ubuntu 14.04 64bits. Continue lendo Compilando a Godot no Ubuntu

Por que participar e apoiar um Hackerspace?

“no Matehackers temos um espaço com infraestrutura e ferramentas para construir os mais diversos projetos e pessoas ansiosas para aprender e compartilhar conhecimento.”

Pare de planejar: Começe antes de estar preparado

Todos temos objetivos que queremos atingir em nossas vidas. É normal assumir que a distância de onde estamos hoje e onde queremos chegar é a falta de conhecimento. É por isso que pagamos por cursos, perdemos horas na internet tentando aprender como fazer as coisas ou entramos em uma faculdade. Por esse percurso gastamos semanas, meses ou anos estudando e planejando como fazer as coisas, buscando o momento em que estaremos preparados para realizar o que queremos ou então o momento em que finalmente vamos nos tornar aquilo que almejamos. Mas será que existe uma melhor maneira de buscar nossos objetivos? Conhecimento é muito difícil de manter, e aprender algo novo muitas vezes não é o suficiente.

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[yait] A respeito do respeito

Este artigo é um YAIT (yet another internet thesis). As visões descritas aqui pertencem somente a mim e não possuem nenhum rigor científico e portanto podem ser facilmente ignoradas.

Volta e meia, quando a circlejerk police do matehackers está ocupada demais pra protestar, surge uma discussão interessante no chat, como por exemplo, sobre a relação entre respeito e argumentação ou debate. A ideia aqui é que abandonar uma discussão com outra pessoa é um sinal de respeito ou reverência. Eu discordo; e como não é a primeira vez que eu falo algo sobre isso resolvi escrever dessa vez.

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[yait] Pra construir um hackerspace: Esquerda, Direita, Esquerda, Direita, Defesa.

Este artigo é um YAIT (yet another internet thesis). As visões descritas aqui pertencem somente a mim e não possuem nenhum rigor científico e portanto podem ser facilmente ignoradas.

Você já se perguntou em que posição do espectro político se encontra um hackerspace? Neste artigo eu coloco a proposta que um hackerspace é formado fundamentalmente por duas ideias de cunho direitista, e duas ideias de esquerda.
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Controlando Micro Servo com Python e Arduino

Mais um exemplo de utilização do Arduino com Python, dessa vez controlando um micro servo. Da mesma forma que o post anterior, estou utilizando o Firmata e o pyfirmata.

Foi utilizado um Arduino uno e um microservo 9g. A parte física ficou assim:

servo

E esse foi o código python utilizado:

 

O código funcionando:

 

Lendo sinais analógicos do Arduino com Python

Bueno, depois do Joel aterrorizar tanto que não iria dar tempo de concluir o projeto do robô até o FISL 16, ontem resolvi ver como funciona o tal do Arduino, que vai ser utilizado no projeto, para saber das reais dificuldades de implementar a coisa toda. Continue lendo Lendo sinais analógicos do Arduino com Python

IA e eu II: O que já passou

Se você ficou decepcionado que o post anterior não continha nenhuma menção à Matrix ou ao Arnold Schwarzenegger, não se preocupe. Hoje vamos começar a dar uma olhada no que já foi feito em termos de Inteligência Artificial. Porém, se você não aguenta mais historinha recomendo pular este post aqui também. Nos vemos no futuro.

Há milhões de anos atrás, no futuro..

O primeiro trabalho a ser considerado efetivamente “Inteligência Artificial” foi feito em 1943 por Warren McCulloch e Walter Pits, no qual foi proposto o modelo de funcionamento de um neurônio artificial. Este neurônio podia assumir os estados “ligado” e “desligado”, determinado em resposta aos estímulos proporcionados pelos outros neurônios vizinhos. Foi demonstrado também que uma rede de neurônios artificial conseguia computar qualquer função computável e sugerido que a mesma poderia aprender. Em 1949 Donald Hebb demonstrou uma simples regra pela qual a força de conexão entre os neurônios poderia ser modificada, a qual ficou conhecida como Aprendizado Hebbiano. Logo em seguida, em 1950, foi construído o primeiro computador de rede neural chamado de SNARC que fora feito com 3000 tubos de vácuo e conseguia simular uma rede de 40 neurônios.

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